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Ardipithecus ramidus



      O Ardipithecus ramidus cujo nome "Ardi" significa solo, "pithecus" em grego significa macaco e "ramid" significa raíz na língua amhárico do lugar onde foram encontrados os restos fósseis. O Ardipithecus ramidus é um primata que viveu há aproximadamente entre 4,8 a 4,1 milhões de anos atrás (datação realizada por paleomagnetismo e através de radioisótopos, onde a datação por paleomagnetismo utiliza inversões periódicas do campo magnético da Terra para estabelecer datações e a técnica de radioisótopos utiliza a taxa conhecida de decaimento radioativo de um radioisótopo em outro), viveu durante o Plioceno, na região da atual Awash na Etiópia, que nesta época era arborizada e úmida entre palmeiras e figueiras. Chegavam a pesar 50 quilogramas e medir 1,20 metros de altura.
      Possuíam uma capacidade craniana de 300 a 360 cm³, similar aos atuais chimpanzés modernos. Essa espécie foi descrita por Tim White e sua equipe a partir do descobrimento de alguns maxilares de 9 indivíduos no ano 1983, pela equipe da Universidade de Indiana dirigido por Sileshi Seaslug. Estudos posteriores, com maiores descobertas em 1994, que somavam 36 indivíduos, incluindo um esqueleto mais completo (cerca de 45% do esqueleto do total), que foi denominado de Ardi, com 125 ossos individuais (fragmentos de crânio, todos os tipos de dentes superiores e inferiores, ossos do braço, mão e punho, pélvis, pernas e pés, membro anterior quase completo, úmero semelhante a outros hominídeos, formato de cabeça do úmero diferente dos macacos atuais, fragmentos de ossos do antebraço, do braço, os metacarpos (ossos da mão) que são diferentes daqueles dos macacos atuais, as falanges (ossos dos dedos), ao contrário, são mais longos do que os de outros hominídeos, sendo intermediário de comprimento entre os chimpanzés e gorilas, a pelve é como a de todos os outros hominídeos, possuía um ílio que deslocando os músculos glúteos mais para o exterior do corpo, que permitia que o peso fosse suportado em um pé durante a marcha bípede, a forma e o tamanho do ísquio sugerem que os músculos estavam bem desenvolvidos, indicando boa capacidade em escalar árvores), tornando o A. ramidus o melhor hominídeo documentado antes da descoberta dos Australopithecus, anteriores há 4 milhões de anos atrás, sendo o A. kadabba com 5,6 milhões de anos, o Orrorin tugenensis com 6 milhões de anos e o Sahelanthropus tchadensis com 7 milhões anos conhecidos apenas através de poucos vestígios de ossos.
      Essa espécie possuía dentes com espessura de esmalte intermediários entre os chimpanzés e outras espécies de hominídeos, com caninos superiores em forma de diamante, muito mais parecidos com os dos humanos do que os caninos de outros primatas em formato de "v", sendo que os machos de Ardipithecus ramidus tinham os dentes caninos de tamanho similar aos das fêmeas, o que indica mudanças decisivas nos comportamentos sociais, pois os caninos são usados principalmente em combates entre machos, na disputa por fêmeas e como os deles não eram bem desenvolvidos, poderia indicar que eram monogâmicos, escolhendo apenas uma parceira por longos períodos de tempo (Owen Lovejoy, 1999). O A. ramidus não possuía o complexo dentário que mantém o canino superior afiado devido o contato com a superfície anterior do pré-molar inferior, característica essa encontrada em todos os macacos atuais e ausente em todas as espécies de hominídeos. O desgaste dental indica uma alimentação menos abrasiva do que o A. afarensis, baseada em frutas e folhas mais macias, isentas de silício, que é comum em gramíneas e outras vegetações rasteiras.
      Eram ainda mais parecidos com um símio do que com um humano. No solo, andavam sobre duas pernas a curtas distancias, como evidenciado pela forma de sua bacia, porém seu dedão completamente oposto aos outros dedos e o arco muito plano, similar a outros macacos extintos e atuais, dificultavam longos passeios. Nas árvores, não eram tão ágeis e rápidos como os chimpanzés, as mãos não tinham as adaptações necessárias para permitir a suspensão por longos períodos (White, 1994). Passavam a maior parte do tempo andando acima das árvores apoiados nas 4 patas.
      Apresentam prognatismo substancial, que é a projeção para frente do rosto. Ao contrário dos macacos, A. ramidus não apresentam prognatismo na região inferior da abertura nasal, a porção posterior da base do crânio é menor do que nos chimpanzés, uma característica também observada em outros hominídeos, estas duas características (falta de prognatismo na parte inferior do rosto e uma base curta do cranio) também são encontradas em S. tchadensis.
      A teoria mais aceita é a de que o A. ramidus seja a mais antiga espécie que possui características inequivocamente ligadas à linhagem dos hominídeos, sendo antepassado dos Australopithecus e dos grandes macacos terrestres e que mesmo possuindo características diferentes, perincipalmente no crânio e nos dentes, tenha sido descendente do O. tugenensis. Se tornando a melhor evidência descoberta até agora sobre a raiz da árvore genealógica dos hominídeos.
      Sendo um dos mais velhos hominídeo, A. kadabba, que também é encontrado no Médio Awash, na Etiópia, é defendido por alguns pesquisadores como sendo um ancestral direto do A. ramidus, porque ambas as espécies compartilham muitas características, tais como esmalte dental fino e caninos maiores. Além disso, alguns pesquisadores argumentam que A. ramidus compartilha de uma única linha de descendência, no leste da África, começando com A. kadabba, o A. ramidus, Australopithecus anamensis e terminando com A. afarensis. Esta hipótese, no entanto, implicaria que uma grande quantidade de mudanças morfológicas teria que ocorrer entre A. ramidus e A. anamensis em um período muito curto de tempo (aproximadamente 200 mil anos). Muitos cientistas não acreditam que este valor de mudança morfológica pode ocorrer em uma única linhagem em tão pouco tempo. Paleoantropólogos também estão interessados no A. ramidus por que em 4,4 milhões de anos, fornece a primeira grande evidência fóssil que estende nossa compreensão do último ancestral comum que compartilhamos com os chimpanzés. Os cientistas argumentam que a morfologia do A. ramidus demonstra que as adaptações de grandes primatas para suspensão arbóreas e o andar ereto não estavam presentes no ancestral comum dos hominídeos. Este argumento também implica que os grandes símios evoluíram separadamente, adaptações diferentes e que nenhum é um bom modelo da anatomia e comportamento para o último ancestral comum entre chimpanzés e humanos. Os dois sites a partir do qual os fósseis de A. ramidus foram recuperados (Médio Awash e Gona) oferecem reconstruções habitat ligeiramente diferente. Em Gona, muitos mamíferos grandes da fauna associados com A. ramidus são herbívoros, o que indicaria um habitat com um importante componente, as gramíneas. Outros indicadores de Gona, no entanto, sugerem que o ambiente era um habitat mais mosaico, composto por bosques fechados e mais abertos, juntamente com ambientes de gramados. Semelhante evidências das partes da região do Médio Awash, onde A. ramidus foi encontrado, ao contrário, levar a reconstrução de uma floresta fechada. Embora a reconstrução A. ramidus sugere um ambiente mais fechado, tanto reconstruções habitat são consistentes com a idéia de que bipedalidade inicialmente evoluiu em um ambiente de floresta, em vez de em uma savana mais aberta de pastagens.

Dados do Primata:
Nome: Ardipithecus ramidus
Nome Científico: Ardipithecus ramidus
Época: Plioceno
Local onde viveu: África
Peso: Cerca de 50 quilogramas
Tamanho: 1,20 metros de altura
Alimentação: Onívora

Classificação Científica:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Superfamília: Hominoidea
Família: Hominidae
Subfamília: Homininae
Gênero: Ardipithecus
Espécie:A. ramidus, White et al., 1994.

Referências:
- Renne, Paul R, Giday WoldeGabriel, William K Hart, Grant Heiken, and Tim D White (1999) Geological Society of America Bulletin, pp. 869-885.
- White, Tim D, Gen Suwa, and Berhane Asfaw (1994) Nature, 371:306-312.
- White, Tim D, Gen Suwa, and Berhane Asfaw (1995) Nature, 375:88.
- http://www.becominghuman.org/node/human-lineage-through-time.
- Renne, Paul R, Giday WoldeGabriel, William K Hart, Grant Heiken, and Tim D White (1999), Geological Society of America Bulletin, pp. 869-885.



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