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Dodô

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    O Dodô (Raphus cucullatus) era uma ave terrestre ou não voadora, que possuía asas atrofiadas. Ele viveu há até 350 anos atrás durante o Holoceno atual em uma pequena ilha do Oceano Indico, endêmica da ilha Maurício, uma das ilhas do arquipélago de ilhas Mascarenhas na costa leste da África e de Madagascar. Este arquipélago foi formado por uma série de erupções vulcânicas entre há 10 a 8 milhões de anos atrás.

    Marinheiros holandeses provavelmente encontraram a ave pela primeira vez no ano de 1598, podendo ser considerado o "começo do fim" da história desta espécie e outras como o Solitário de Rodrigues, o Íbis Terrestre de Reunião, a Galinhola Vermelha de Maurício, a Tartaruga Gigante de Maurício, a Tartaruga Gigante de Maurício de Carapaça de Sela, a Tartaruga de Rodrigues, a Tartaruga Gigante de Rodrigues e a Tartaruga Gigante de Reunião. O problema para estes animais se agravou com a chegada de ratos e outros animais trazidos pelos navios, que devido a ausência de predadores, acabaram se espalhando pelas ilhas, comendo os ovos e filhotes e competindo por alimento. Os Dodôs foram avistados pela última vez na natureza na próximo do ano de 1660. Alguns espécimes de Dodô foram enviados para a Europa para estudos científicos e coleções particulares. Museus e universidades tinham esqueletos e exemplares empalhados, infelizmente os cientistas europeus do século 17 não perceberam o quão valiosos eles eram e quase 100% deles se perderam.

    As primeiras descrições dessas aves mostram-na como uma ave desajeitada e feia, que "mal podia se arrastar, pesada e desajeitadamente" e que "esta massa bizarra se sustenta mal sobre dois pés". Cientistas retratavam o dodô de diversas maneiras, como um pequeno avestruz, um grande pinguim, um frango-d'água, um tipo de albatroz e até mesmo uma espécie de abutre. A figura mais antiga de Dodô de que se conhece é de 1601, feita por De Bry, e representa um animal que fora levado vivo para a Holanda por Van Neck, explorador holandês que andou em regiões próximas as Ilhas Maurício no final do século XVI. Roelandt Savery pintou o Dodô várias vezes: Berlim, 1626; Viena, 1628; Haia; Estugarda e Londres (Zoological Society e British Museum), Oxford e Harlem. Na biblioteca do último imperador da Áustria, existe um desenho atribuído a Hoefnagel que se pensa datar de 1620, feito a partir de animais do aviário do imperador. No ano de 1842 o zoólogo dinamarquês Johannes Reinhardt criou a teoria de que os dodôs fossem pombos terrestres, se baseando no estudo de um crânio de dodô descoberto por ele mesmo na coleção real dinamarquesa em Copenhague. A ideia foi considerada ridícula inicialmente, contudo posteriormente foi apoiada por Hugh Strickland e Alexander Melville em uma monografia publicada em 1848 ("The Dodo and Its Kindred"), na qual tentaram mostrar o que era mito e o que era realidade sobre os dodôs.

    O dodô foi perdido pela segunda vez quando, 99% de seus restos presentes em acervos de museus e coleções foram perdidos, os estudos sobre a espécie acabou caindo na obscuridade, se não fosse o trabalho dos pesquisadores Hugh Edwin Strickland e Alexander Gordon Melville, reascendendo o interesse pelo dodô. Esse ressurgimento foi tão intenso que a espécie foi mencionado no clássico livro de "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll.

    Strickland estudou a anatomia do dodô, verificando que era parecida com a dos pombos em muitos aspectos, observou que apenas a parte da extremidade do bico era queratinizada, sendo a maior parte restante frágil e pouco protegida. Estas características são muito similares a dos pombos, que possuem pele sem penas na região ao redor dos olhos e próximo ao bico, fronte alta em relação ao bico e narina baixa no meio do bico circundada por pele. As pernas do dodô também eram muito similares com as dos pombos terrestres, mais do que quando comparado com outros pássaros, tanto em relação às escamas quanto ao esqueleto. Os grandes papos presentes nos desenhos antigos mostram também semelhanças com os pombos. Os pombos em geral possuem ninhadas bem pequenas, levando a acreditar que as fêmeas de dodô também o fizessem, colocando um ou dois ovos no máximo por vez. Outra semelhança entre os pombos e o dodô é o fato que não possuíam o osso vômer nem o septo das narinas, sendo as principais diferentes entre eles, o pequeno tamanho da asa e o grande bico em proporção ao resto do crânio, que podem ser explicadas pelas adaptações a vida terrestre.

    Algumas espécies foram classificadas como espécies de dodô erroneamente, como o extinto Solitário de Rodrigues (descrito como Didus solitarius) e o extinto Íbis Terrestre de Reunião (descrito como Raphus solitarius). Um esqueleto encontrado na ilha Rodrigues no século XVII levou Abraham Dee Bartlett a nomear uma nova espécie (Didus nazarenus) em 1852 acreditando pertencer há uma nova espécie de dodô, posteriormente se verificou que pertencia a um solitário-de-rodrigues. Desenhos antigos da extinta Galinhola Vermelha de Maurício (Aphanapteryx bonasia) também foram interpretados como espécies novas de dodôs, sendo descritas como Didus broeckii e Didus herberti.

    Em relação ao volume corporal, o dodô que vemos em gravuras e reconstruções é provavelmente baseado em ilustrações feitas de pássaros superalimentados que podiam chegar aos 23 quilogramas ou de espécimes empalhados sem muito esmero. Na vida selvagem, o dodô era muito mais magro e deveria pesar entre 10 a 18 quilogramas.

    Justamente pelo Dodô não poder voar, ser desajeitado e possuir grande quantidade de carne, é que os marinheiros ao passarem próximos a essa ilha, paravam para estocar comida abatendo o máximo de animais que encontrassem. Essa matança chegou a tal ponto que a ave se tornou extinta. E essa tragédia não termina por ai, pois a extinção de uma espécie não se dá sem efeitos nocivos sobre outras espécies, como uma árvore chamada "Calvária", cujas sementes alimentavam o Dodô também está prestes a desaparecer. Sua semente só conseguia germinar depois que o Dodô se alimentasse de seu fruto e "gastasse" a casca grossa da semente. Hoje existem apenas 13 árvores de "Calvária" no mundo. As que ainda resistem têm mais de 300 anos de idade. Sem o Dodô, a Calvária está prestes a desaparecer para sempre.

Dados da Ave:
Nome: Dodô
Nome Científico: Raphus cucullatus
Época: Holoceno
Local onde viveu: Ilha Maurício
Peso: Cerca de 23 quilogramas
Tamanho: 1,0 metro de altura
Alimentação: Herbívora

Classificação Científica:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Columbiformes
Família: Columbidae
Subfamília: Raphinae
Gênero: Raphus
Espécie: Raphus cucullatus (Linnaeus, 1758)

Sinônimos:
- Struthio cucullatus Linnaeus, 1758
- Didus ineptus Linnaeus, 1766

Referências:
- Baker, RA; Bayliss RA. (2002). "Alexander Gordon Melville (1819–1901): The Dodo, Raphus cucullatus (L., 1758) and the genesis of a book" (em inglês). Archives of Natural History 29: 109–118. DOI:10.3366/anh.2002.29.1.109.
- Hume, Julian P. (2006). "The History of the Dodo Raphus cucullatus and the Penguin of Mauritius" (em inglês). Historical Biology 18 (2): 69-93. DOI:10.1080/08912960600639400.
- Newton, A. (1865). "2. On Some Recently Discovered Bones of the Largest Known Species of Dodo (Didus Nazarenus, Bartlett)" (em inglês). Proceedings of the Zoological Society of London 33 (1) p. 199-201. DOI:10.1111/j.1469-7998.1865.tb02320.x.



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