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William Nava


    O pesquisador William Nava é formado em História, desde adolescente é ligado em dinossauros e Paleontologia. Por pura curiosidade e interesse se envolveu ao longo dos últimos 11 anos com Paleontologia e se tornou muito habilidoso em localizar e reconhecer fósseis. Na região de Marília ele já realizou importantes descobertas de animais pré-históricos que viveram no Período Cretáceo (70 milhões de anos atrás), como fósseis de dinossauros herbívoros (Titanossauros) que também são bastante encontrados em outras regiões sedimentares do país, uma espécie extinta de pequeno crocodilo também da mesma época e que ainda não era conhecido pela comunidade científica (Mariliasuchus amarali), cujos fósseis estão sendo estudados nos laboratórios do Museu de Zoologia da Universidade de S. Paulo – USP, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Museu Nacional – RJ e UNESP/ Rio Claro-SP.

   

Pesquisas recentes:


O DINO TITÃ DE MARÍLIA



Museu dos Dinossauros de Peirópolis

   Em abril de 2009, encontrei os primeiros fósseis desse dinossauro, aflorando nas rochas às margens da rodovia SP- 333, a 26 km a norte de Marília.
   Essa rodovia, aberta há muitas décadas atrás, teve as obras executadas ao longo de um dos planaltos de Marília, e no ponto exato onde estavam os fósseis (ninguém sabia naquela época) havia uma colina relativamente alta, daí a necessidade de aprofundar o terreno para deixar a pista mais plana, e assim muitas camadas de arenitos foram expostos, num trecho de quase 100 mts de extensão.
   Com o tempo solapando e erodindo os sedimentos, parte dos fósseis surgiu, e os avistei nessa época (2009).

   Na realidade, o primeiro fóssil achado nesse local foi uma concha fossilizada, conhecida como molusco bivalve (semelhantes as conchinhas que encontramos no litoral) e ao lado dela avistei uma grande vértebra caudal de dinossauro, desprendida da rocha, foi isso que me chamou a atenção para o local.

   Depois que examinei o barranco, encontrei outros fósseis: fragmentos de costelas, duas vértebras caudais pequenas, ossos da bacia formando um conjunto que depois concluí ser parte da região sacral do dinossauro, então um Titanossauro – aqueles herbívoros de pescoço e cauda longos.

   Registrei tudo em fotos, contatei amigos, como o paleontólogo Rodrigo Santucci, da Universidade de Brasília (UnB) e em 2011 e 2012 fizemos 4 etapas de escavações, que resultaram na remoção de cerca de 50% do esqueleto desse titanossauro, e associado aos fósseis dele, estavam também dentes de crocodilianos e dinossauros terópodes (carnívoros), o que indica, certamente, que nosso dino titã foi devorado por esses carnívoros e seus dentes de fossilizaram junto.

   É um dos mais completos titanossauros já encontrados no país, principalmente por apresentar parte da coluna pré-sacral e cervical toda articulada. Geralmente achados de titanossauros pelo Brasil raramente apresentam elementos ósseos articulados, o mais comum são ossos isolados.

   Pelo tipo de arenito onde os fósseis se alojaram (são arenitos do Cretáceo Superior da Formação Marília, formados entre 65 e 70 milhões de anos), imaginamos que havia na região um rio primitivo, que de tempos em tempos era exposto a fases de extrema aridez. Num desses momentos, provavelmente o Dino Titã de Marília ficou exposto num banco de areia desse rio, onde animais carniceiros se banquetearam antes que sua carcaça fosse totalmente coberta por sedimentação arenosa. Com o tempo, essas camadas de areia foram se compactando, aprisionando os ossos, e transformando-os em fósseis.

   De qualquer forma, foi também uma das maiores escavações de dinossauros já feitas, e envolveu além do Museu de Paleontologia de Marília, a Universidade de Brasília, Universidade F. do Rio Grande do Sul, e Universidade Federal do Rio de Janeiro, reunindo um boa equipe de paleontólogos e técnicos que deram grande contribuição para a paleontologia brasileira.

   

Outros trabalhos:


    A espécie Adamantinasuchus navae foi nomeada em homenagem ao pesquisador William Nava, coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, que encontrou seus fósseis durante trabalhos de campo efetuados nas proximidades do Rio do Peixe, que corta a região de Marília.
- Nava, W: Novo crocodylomorpha do Cretáceo Superior, Bacia Bauru, centro-oeste do estado de São Paulo, Boletim do 7° Simpósio do Cretáceo do Brasil e 1° Simpósio do Terciário do Brasil, p. 92 (IGCE, Unesp, Rio Claro-SP), Serra Negra, SP, 2006;
- Nobre, P.H & Carvalho, I.S; Um novo Crocodylomorpha Mesoeucrocodylia da Formação Adamantina, Bacia Bauru (Cretáceo Superior) no município de Marília-SP, 2° Congresso Brasileiro de Herpetologia, Pontifíca Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2005;
- Nobre, P.H & Carvalho, I.S; Adamantinasuchus navae: A new Gondwanan Crocodylomorpha (Mesoeucrocodylia) from the Late Cretaceous of Brasil. Gondwana Research, p. 370-378, 2006.

   O Mariliasuchus, pequeno crocodilo notossúquio encontrado em rochas sedimentares pertencentes à Formação Adamantina viveu há aproximadamente 70 milhões de anos atrás durante o período Cretáceo Superior na região de Marília-SP, é um dos mais completos crocodilos fósseis da América do Sul. Os primeiros restos fossilizados dessa espécie foram escavados em barrancos rochosos próximos ao vale do Rio do Peixe, região sul de Marília, em 1995, pelo pesquisador William Nava.
- Pedro Henrique Nobre; Ismar de Souza Carvalho; Felipe Mesquita de Vasconcellos & Willian Roberto Nava. (2007). "Mariliasuchus robustus, a new Crocodylomorpha (Mesoeucrocodylia) from the Bauru Basin, Brazil". Anuário do Instituto de Geociências 30 (1): 38–49. ISSN 0101-9759.

   Seus trabalhos podem ser melhor observados em:
   - Museu de Paleontologia de Marília.
   Endereço: Av. Sampaio Vidal, 245, centro, Anexo à Biblioteca Municipal, Marília, SP.
   - Museu dos Dinossauros de Peirópolis.



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